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As Leis Dietéticas do AT à Luz do NT

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As Leis Dietéticas do AT à Luz do NT

Mensagem por Matheus Rosa em Sex 28 Out 2016, 02:57

AS LEIS DIETÉTICAS DO AT À LUZ DO NT

Por Matheus Rosa

         De todas as diversas leis encontradas no Pentateuco, as leis condizentes à alimentação ainda são causa de controvérsias. Levítico 11 e Deuteronômio 14 contêm leis que estabelecem uma distinção das carnes entre limpas e imundas. Mas, será que tal distinção é válida para os cristãos? Vejamos:
         Os Adventistas do Sétimo Dia costumam citar Gênesis 7.2 e 8.20 para provar que a distinção entre os animais é anterior à Lei Mosaica e, portanto, de caráter universal. Porém, o livro de Gênesis não indica que havia alguma ou qualquer restrição quanto ao emprego dos animais classificados como impuros na alimentação humana após o Dilúvio. Convém salientar que no período anterior ao Dilúvio não eram consumidas carnes de animais (Gn 1.29). Ao permitir o uso de carne na dieta humana, Deus não definiu ressalvas em Suas estipulações a Noé: “Tudo quanto se move, que é vivente, será para vosso mantimento; tudo vos tenho dado, como a erva verde” (Gn 9.3). A única restrição estabelecida em relação à dieta do homem nessa ocasião específica consiste na proibição do consumo de carne com seu sangue (Gn 9.4), que, posteriormente, foi ratificada na Lei de Moisés (Lv  17.10-14; 19.26; Dt 12.23) e incorporada ao Novo Testamento (At 15.20,29; 21.25). Assim como Deus havia dado irrestritamente todas as ervas do campo para o consumo humano, Ele colocou  também todos os animais sem distinção à disposição do homem.
         E como explicar a distinção entre os animais em limpos e não limpos (imundos) feita pelo Senhor em Gênesis 7.2? Gênesis 8.20 indica que essa distinção provavelmente servia para classificar os animais apropriados para os sacrifícios ao Senhor: “E edificou Noé um altar ao SENHOR; e tomou de todo animal limpo e de toda ave limpa e ofereceu holocaustos sobre o altar”.
         Séculos após o Dilúvio, o Senhor pormenorizou as carnes apropriadas e inapropriadas para a alimentação dos que faziam parte do Seu povo escolhido na Lei Mosaica (Lv 11; Dt 14.3-21). Animais, criaturas marítimas, aves e insetos estão catalogados nas orientações divinas (Lv 11.3,9,13-23). O motivo primeiro das leis no tocante ao consumo de alimentos é preservar a santidade do povo de Israel como povo santo de Deus em qualquer parte do mundo: “Porque eu sou o SENHOR, vosso Deus; portanto, vós vos santificareis e sereis santos, porque eu sou santo; e não contaminareis a vossa alma por nenhum réptil que se arrasta sobre a terra” (Lv 11.44). A ideia de que as restrições tinham a principal preocupação em preservar a saúde é secundária.[1] Além disso, a partícula primitiva hebraica kı̂y, “porque”, indica causa, motivo ou razão. Embora a preocupação divina com a saúde e o bem-estar da nação de Israel possa estar entre as razões que levaram Deus a estipular essas regras sobre a alimentação, o componente da saúde não se constitui a causa primária das leis dietéticas, mesmo que pareça um dos motivos mais óbvios para elas.
         Quando trazemos essas restrições para o contexto neotestamentário, percebemos que as questões alimentares não foram mais uma preocupação velada dos apóstolos. Nos ensinos do apóstolo Paulo, o cuidado com relação a “comer carne” deveria ser regido pelo critério do amor cristão, fraternal e mútuo (Rm 14.15,21; 1Co 8.13).[2] O Novo Testamento apenas proíbe a ingestão de alimentos oferecidos aos ídolos, de sangue e de carne sufocada (At 15.2); não ratifica as leis dietéticas do AT. As leis dietéticas foram postas de lado, pois Deus purificou os alimentos impuros (representando os gentios) dos quais Israel devia ser separado ou santificado (At 10).[3] Essas prescrições relativas à alimentação ensinavam Israel a se separar do mundo gentio (Lv 20.22-26). Ainda que a observância delas não seja mais necessária, contudo o princípio subjacente à elas – o da separação da impiedade – ainda se aplica (2Co 6.14-18; Jd 23).[4]
         Na crença fundamental nº. 22, a declaração oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia trata as leis dietéticas do AT como doutrina para a Igreja Cristã: “Junto com adequado exercício e repouso, devemos adotar a alimentação mais saudável possível e abster-nos dos alimentos imundos identificados nas Escrituras”.[5] Porém, os Adventistas do Sétimo Dia ignoram o fato de que o Senhor Jesus purificou todos os alimentos enquanto esteve na Terra: “... E assim, considerou ele puros todos os alimentos” (Mc 7.19, ARA). Na Nova Aliança, não há distinção alguma entre as carnes dos animais em limpas e imundas. O livro de Atos evidencia que os cristãos primitivos demoraram algum tempo para assimilarem essa verdade (cf. At 10.14), mas compreenderam plenamente as implicações da morte de Jesus, que afetavam essas leis. A Bíblia diz que Cristo “aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças” (Ef 2.15, ARA), que servia como uma espécie de “parede de separação” entre os judeus e os gentios (Ef 2.14), e entre essas ordenanças que separavam os judeus dos gentios estavam as leis alimentares.
         O apóstolo Paulo frisou aos crentes romanos que “o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17). Impor as restrições dietéticas da Lei de Moisés a Igreja é submeter os cristãos ao jugo da servidão do qual Cristo, pela Sua maravilhosa graça, nos libertou (Gl 5.1; cf. Rm 7.6).

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[1] Bíblia King James Atualizada (KJA) – Tradução dos manuscritos nas línguas originais do Tanakh (Bíblia Hebraica), e o B’rit Hadashah (Novum Testamentum Graece), de acordo com o estilo clássico, majestoso e reverente da Bíblia King James (Authorized Version), de 1611. São Paulo: Abba Press no Brasil, 2012, p. 234.
[2] LEMOS, Doris. Hermenêutica – Interpretando as Escrituras Sagradas. 3. ed. Pindamonhagaba, SP: Instituto Bíblico das Assembleias de Deus, 2010, p. 63.
[3] BAHNSEN, Greg L. O Que É “Teonomia”? Disponível em: <http://www.monergismo.com/textos/lei_evangelho/o-que-teonomia_banhsen.pdf>. Acesso em: 28 de out. 2016.
[4] BAHNSEN, Greg L. Lei e Evangelho – A Posicao Reformada Teonomista. Disponível em: < http://www.monergismo.com/textos/livros/introducao-teonomia-debate_greg-bahnsen.pdf>. Acesso em: 28 de out. 2016.
[5] Crenças Fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Disponível em: <http://centrowhite.org.br/iasd/crencas-fundamentais-dos-adventistas-do-setimo-dia/>. Acesso em: 28 de out. 2016.

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