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Pequenas Perguntas, Grandes Lições

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Jonas
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Pequenas Perguntas, Grandes Lições

Mensagem por Jonas em Dom 16 Out 2016, 14:15

PEQUENAS PERGUNTAS, GRANDES LIÇÕES


Interessante o artigo do Matheus Rosa, “A Lei Natural e a sua Evidente Relação com o Sabatismo Neolegalista” que em grande parte já está refutado no nosso texto abaixo, “A Prosopopeia de Assembleianos e Protestantes/Evangélicos Sobre a Guarda do Sábado no Éden” . Confiram lá e preparem-se para algumas surpresas. . .

Mas neste novo artigo ele se atrapalha ao citar autoridades várias querendo negar fatos admitidos por outras autoridades várias DA PRÓPRIA DENOMINAÇÃO com que costumava se identificar, a Igr. Assembleia de Deus.

Se há nela o Pr. Esequias Soares ensinando a confusa tese do “sábado institucional”, mero “princípio” de um dia de repouso dado no Éden, mas que fica como que hibernando até o Sinai sem ser aplicado, daí em diante tornando-o o “sábado legal” (linguagem que não se acha nas Escrituras, diga-se de passagem), há a declaração da Bíblia de Estudo Pentecostal, da editora assembleiana CPAD, que o próprio M. Rosa cita, claramente informando que “O principio de um dia sagrado de repouso, foi instituído antes da lei judaica. ‘E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou’ (Gn 2.3). Isto indica que o propósito divino é que um dia, em sete, fosse uma fonte de bênção para toda a humanidade, e não apenas para a nação judaica”.

Agora, como um “fonte de bênção para toda a humanidade” não serviu a “toda a humanidade” por milênios ou séculos desde a criação, ele não soube explicar.

E o pastor e autor assembleiano Orlando S. Boyer declara na sua Pequena Enciclopédia Bíblica, verb. “Dez Mandamentos”, também da CPAD, que “Não se deve pensar que não existia nada destes [dez] mandamentos, antes de Moisés. Foram escritos nas mentes e nas consciências dos homens desde o princípio. Não há pecado que não é condenado por um dos Dez Mandamentos”.

E se é reconhecidamente da LEI NATURAL esse princípio, como admitido em documentos confessionais de diferentes Igrejas, não é estranho que DESNATURALMENTE “toda a humanidade” ficou sem esse princípio pelo tempo decorrido da criação até o Sinai, isso tudo alegado com base nos desqualificados “argumentos do silêncio”?

Quanto aos rotulamentos que M. Rosa gosta de empregar, ele deve saber que não só ofende muito mais gente do que pretende (como os autores assembleianos citados e outros,  que contrariam as suas teorias) como não parecem nem um pouco convincentes, e sim puro fruto da lamentável somatória de DESINFORMAÇÃO + PRECONCEITO. Isso se evidenciará noutro assunto discutido nesta seção de  estudos, “Por Que Temos Que Evangelizar os Que Querem Evangelizar os Adventistas”. Confiram lá também e novamente prepararem-se para outras grandes surpresas.

Mas temos um questionário preparado pelo Prof. Azenilto G. Brito, citado no artigo sob análise, em duas etapas—um específico sobre o tema da lei divina e o outro sobre o tema do sábado. E há um detalhe interessante em ambos os questionários—já trazem RESPOSTAS às breves perguntas propostas pelo autor. Ele promete considerar cuidadosamente qualquer RESPOSTA MELHOR que possam oferecer. Para tanto podem enviá-las para sua consideração e comentários particulares para o e-mail atalaiadesiao@yahoo.com.br

Vejam as perguntas e suas respostas:

- PERGUNTAS SOBRE O TEMA DA LEI DIVINA:

* Se o “cumprir” a lei em Mat. 5:17-19 significa isentar-nos de obedecê-la, por que isso não se aplica a cumprir o batismo (Mat. 3:15)?

RESPOSTA: O contexto nada trata de ficar sem a lei como regra de conduta cristã, e sim o contrário. A ênfase de Cristo é o respeito aos mínimos dos preceitos e o ensino disso aos homens. No vs. 20, se ainda pairam dúvidas, Ele diz de modo insofismável que a justiça dos Seus ouvintes devia exceder a dos escribas e fariseus. No Seu último discurso público (Mat. 23:1-3) Ele praticamente repete “às multidões” e aos discípulos (continuadores de Sua obra) o que disse no Sermão do Monte. A ênfase é a MESMA de Mat. 5:17-20.


* Se a “lei e os profetas duraram até João” como depois dele havia ainda lei (Mat. 19:17; Rom. 3:31; Efé. 6:1-3) e profetas (Atos 11:27; 13:1, etc.)?

RESPOSTA: “Duraram” não consta do texto original, tanto que em muitas Bíblias o termo vem em itálico (forma de indicar palavra acrescentada pelos tradutores). Mat. 11:13 explica—“A lei e os profetas PROFETIZARAM até João”.

A expressão “lei e profetas” [“e salmos”—ver Luc. 24:44] significa os escritos sagrados que hoje chamamos de Velho Testamento. João Batista foi o último profeta messiânico. Daí, as profecias messiânicas duraram até João, pois a partir dele o Messias era chegado.


* À luz de Gên. 3:15, faz sentido a alegação de muitos dispensacionalistas de que a graça é só de Cristo para cá, com base em 1 João 1:17?

RESPOSTA: Para muitos aprendizes dos conceitos da teologia novidadeira do dispensacionalismo, sobretudo em seu viés dianenhumista, a “dispensação da graça” teria suplantado a “dispensação da lei” desde Cristo, inaugurando-se novo regime nas relações do homem para com Deus.  

Se João 1:17 diz que “a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Cristo” devemos entender que antes de Moisés havia tanto lei (Gên. 4:7; 26:5; 39:9) quanto graça (Gên. 3:15— o “protoevangelho”—, livramento de Ló e família de Sodoma e Gomorra—condenadas pela óbvia violação da lei moral de Deus existente antes de Moisés—e libertação de Israel do Egito (Êxo. 20:1 e 2), sendo esses, atos de graça divina. Além disso, em Rom 4:3-9 Paulo fala sobre a justificação pela fé de Abraão e cita Sal. 32:1,2, onde Davi trata desse meio salvífico de graça, isso dentro da suposta e mal rotulada “dispensação da lei”. Lembrando que “pecado é a transgressão da lei” (1 João 3:4) em todos os tempos.

Depois da morte de Cristo continuou a haver tanto graça quanto lei. Nem há necessidade de apresentar dados sobre a graça, mas sobre a lei, acentue-se Luc. 23:56; Rom. 3:31; 13:8-10; Efé. 6:1-3). E, logicamente, VERDADE  existia antes de Cristo também, ou será que não?!

Logo, a compreensão correta de João 1:17 é que a lei formalmente outorgada como base do pacto divino com Israel veio por meio de Moisés, a graça, oferecida desde a Queda do homem originalmente e proclamada na promessa do Libertador que feriria a cabeça da serpente até esta ser esmagada (Gên. 3:15, cf. Rom. 16:20), veio ao mundo em sua formalização plena com Cristo, o cumprimento do gracioso oferecimento do Libertador por Deus desde o princípio.

Aliás, os dispensacionalistas em geral se atrapalham com a pergunta, “como se salvavam os pecadores ao tempo do Antigo Testamento?” Dada a sua incorreta compreensão do tema, chegam a dizer que eram salvos pela lei, mas desde Cristo a salvação é por graça. Errado, nunca houve homem algum que obteve méritos por cumprir plenamente a lei. Os heróis de Hebreus 11 foram todos salvos pela fé, a parte humana na “transação salvífica”, nenhum sendo salvo por suas obras.

E a graça, reiteramos, foi primeiro oferecida ao homem já após sua queda, com Deus indicando a saída para o dilema criado pelo pecado com o oferecimento do Libertador, como sempre se reconheceu na interpretação de Gên. 3:15 pelos crentes conservadores, texto conhecido como “protoevangelho” (a primeira pregação do evangelho no mundo, por Deus).


* Se Paulo declara que “os gentios . . . não têm lei” (Rom. 2:14), por que recomenda a gentios o 5º. Mandamento do Decálogo (Efé. 6:1-3)?

RESPOSTA: Em Rom. 2:14 e contexto Paulo contrasta o conhecimento histórico da lei pelos judeus com o seu desconhecimento pelos gentios, acentuando que TODOS igualmente eram culpáveis diante de Deus, “pois todos pecaram” (Rom. 3:23).  Não faz sentido usar tal texto para alegar que os gentios não têm que obedecer à lei, porque daí se poderia aceitar qualquer pecado da parte deles, e a definição bíblica de pecado é “transgressão da lei” (1 João 3:4).


* Gál. 3:24 alude à lei como um aio que nos conduz a Cristo, daí ficando livres do aio. Mas como tal aio serviu depois a Paulo em Rom. 7:7,8?

RESPOSTA: Em Gálatas Paulo trata da lei como um sistema global para a nação toda de Israel. Em Rom. 9:30-32 ele mostra que a falha da nação israelita foi buscar justiça na lei, o que nunca representou a sua função. No texto de Rom. 7:7, 8 (que foi escrito DEPOIS de Gálatas) ele fala da lei em termos individuais—que aponta ao pecado (Rom. 3:20) para levar o pecador a reconhecê-lo e buscar solução em Cristo. Nesse sentido, ela lhe serviu individualmente de “aio”, apontando ao pecado, que é definido biblicamente como “transgressão da lei” (1 João 3:4), o que se aplicará a qualquer cristão ao longo do tempo (ver 1 João 1:8-10 e 2:1).


* Se “o fim da lei é Cristo” (Rom. 10:4) significa o seu fim como norma de conduta cristã, pode-se agora matar, roubar, mentir, adulterar?

RESPOSTA: Alegar que não—pois agora o cristão está sob a “lei de Cristo” (1 Cor. 9:21, cf. Gál. 6:2)—não resolve porque tal lei é a MESMA da “regra áurea”—de amar a Deus de todo o coração e amar ao próximo como a si mesmo (Mat. 22:36-40). Jesus ressalta que “destes dois mandamentos dependem TODA A LEI e os profetas”, não sendo dito que na expressão TODA A LEI qualquer preceito do Decálogo haja sido excluído.


* Se Rom. 10:4 ensina o fim da lei para a conduta cristã, como o mesmo Paulo em Rom. 3:31 diz que a fé confirma a lei, e não a anula?

RESPOSTA: A chave para entender as discussões paulinas sobre a lei é Rom. 9:30-32—a falha de Israel em buscar justiça na lei, o que nunca foi o seu objetivo. Paulo diz que a fé NÃO ANULA a lei, e sim a CONFIRMA (Rom. 3:31), e que com a sua mente serve à lei de Deus (Rom. 7:25), a que traz o preceito “não cobiçarás”, sendo santa, justa, boa, espiritual (vs. 7, 8, 12, 14, 22). E dela recomenda naturalmente aos GENTIOS de Éfeso e Roma os seus 5o., 6o., 7o., 8o., 9o. e 10o. preceitos (Efé. 6:1-3; 4:24-31; Rom. 13:8-10).

Paulo não condenava a lei, e sim o seu “uso ilegítimo” (ver1 Tim. 1:8’)—tê-la como fonte de justiça—o que nunca foi o seu real papel, pelo que causou o tropeço da nação. ROMANOS FOI ESCRITO DEPOIS DE GÁLATAS. Rom. 10:4 significa que o OBJETIVO da lei é Cristo, tanto que é um objetivo para uma determinada coisa—“. . . para justificação de todo o que crê”. Tal interpretação é a de João Wesley, João Calvino, Bíblia de Genebra, eruditos batistas, metodistas, presbiterianos. . .


* Se em Efé. 2:15 a lei abolida é o Decálogo, como Paulo recomenda naturalmente um preceito de tal lei aos próprios efésios (Efé. 6:1-3)?

RESPOSTA: O próprio texto diz que foi abolida a lei dos mandamentos “que consistia em ordenanças”. Ora, Paulo não precisaria dizer isso se fosse entendido que “a lei dos mandamentos” era o Decálogo. Sua própria explicação adicional o demonstra. Sem falar no absurdo de ter sido dado fim ao Decálogo como regra de conduta cristã, o que contraria outras passagens paulinas (como Efé. 6:1-3; Rom. 13:8-10) e o pensamento clássico, histórico e OFICIAL dos cristãos protestantes HÁ SÉCULOS.  O próprio João Wesley assim explica tal texto:  “Tendo abolido por Seu sofrimento na carne a causa da inimizade entre os judeus e gentios, ou seja, a lei de mandamentos cerimoniais, mediante seus decretos—o que oferece misericórdia a todos”. – Wesley Bible Commentary.

Nessa mesma linha de pensamento podem ser citados Albert Barnes, John Gill, Matthew Henry, o Pulpit Commentary, a Bíblia de Genebra, Paul Kreztmann, etc.


* Se em Rom. 7:6 Paulo fala que o cristão está “livre da lei”, como diz que esta É (não diz ‘era’) santa, justa, boa, espiritual, prazenteira em Rom. 7:12, 14, 22?

RESPOSTA: O contexto todo mostra que Paulo fala da lei como o elemento que prende a pessoa a um “compromisso”, comparando-a à lei matrimonial. Quem tem um cônjuge morto fica livre das obrigações matrimoniais com respeito ao mesmo. Assim, pode se “casar” com o “novo marido” (símbolizando aí a  Cristo), e estará livre das imposições do pecado, apontado pela lei (vs. 5, cf. Rom. 3:20). Daí viverá em “novidade de espírito”, ou seja, num novo compromisso com o novo marido, “tendo morrido para aquilo a que estávamos retidos”, ou seja—as imposições da vida de pecado do regime do “casamento” anterior. No caso, o “velho homem” é simbolizado pela mulher em seu primeiro casamento, que passa a ser um “novo homem” [ou nova criatura] ao morrer o pecado em sua vida casando-se com um novo marido—Cristo. Neste sentido é que está “livre da lei”.

É interessante que os que se valem deste argumento quanto ao “fim da lei” sempre param suas análises no vs. 6. Esquecem-se de continuar considerando o restante do capítulo onde Paulo diz ter a “lei de Deus” no coração e mente visando a respeitá-la, a despeito da contínua luta contra a “lei do pecado” (vs. 25), que é o próprio pecado retoricamente tratado por ele como uma lei concorrente. E ele identifica esta “lei de Deus” (santa, justa, boa, espiritual, prazerosa) como a que traz o preceito “não cobiçarás” (vs. 7 e 8’).


* Se o “ministério de morte” em 2ª. Cor 3:7 é o Decálogo, significa que Deus reuniu o Seu povo solenemente para lhe dar uma lei desse tipo?

RESPOSTA:  No vs. 9 ele fala de “ministério de condenação”, e todo o contexto fala do Velho Concerto, não de alguma “velha lei”. A lei não devia permanecer apenas como regras sobre as tábuas de pedra, mas escrita no coração.

O problema na interpetação deste texto é haver muita gente que não sabe a diferença entre “lei” e “concerto”. O concerto tem por base a lei, mas não é a própria lei.


* A lei divina (no aspecto moral) a ser escrita nas “tábuas de carne” para Ezequiel (11:19, 20; 36:26, 27) teria nove ou dez mandamentos?

RESPOSTA: Ezequiel fala da escrita da lei toda, o que, logicamente, inclui seus aspectos cerimoniais também. Mas a promessa do Novo Concerto [Novo Testamento], dada em Heb. 8:6-10 e 10:16, é feita APÓS o véu do Templo ter-se rasgado de alto a baixo (Mat. 27:52), e tanto o autor de Hebreus quanto seus leitores primários sabiam que tudo quanto era cerimonial, prefigurativo na lei dada a Israel cessara na cruz, mas nenhum dos mandamento de caráter moral, como os do Decálogo. A igreja protestante/evangélica SEMPRE entendeu que todos os preceitos do Decálogo são de caráter MORAL e UNIVERSAL, todos!


* Paulo usaria a metáfora tábuas de pedra/tábuas de carne em 2 Coríntios 3 para 9 ou 10 preceitos a serem escritos no coração, cf. Heb. 10:16?

RESPOSTA: Para ser coerente com o teor de Heb. 10:16, à luz de Eze. 36:26, 27, também 11:19, 20 e Pro. 7:2, 3, ele falaria em 10 preceitos, não somente 9 a serem escritos no coração. Não há nenhuma informação de que ele pensasse em termos de eliminar qualquer dos preceitos do Decálogo ao empregar a metáfora (que até aprimora) a partir dos textos acima.


* Que “mudança da lei” é tratada em Heb. 7:12, algo a ver com o Decálogo, cerimônias ou o quê?

RESPOSTA: O contexto trata da questão da lei do sacerdócio, pela qual alguém só podia ser sacerdote se fosse da tribo de Levi, sendo Cristo da tribo de Judá. Portanto, nem de longe o tema da passagem é mudança no Decálogo no sentido de acomodar, seja outro dia de repouso (como o domingo), seja o “dianenhumismo”. Mas o autor de Hebreus trata disso apenas retoricamente, pois os judeus jamais aceitariam mudar a lei nesse sentido, pois se não aceitavam nem a messianidade de Cristo como aceitariam que fosse sacerdote; ainda mais, Sumo Sacerdote?!


* Por que na Nova Aliança (Heb. 10:16), o que é escrito nos corações e mentes não é a lei da fé, do amor, de Cristo, etc., mas as “Minhas leis” [de Deus]?

RESPOSTA:  Ao falar das “superiores promessas” do Novo Concerto, que tem por base a mesma promessa feita a Israel no passado (ver Jer. 31:31-33), o autor de Hebreus acentua que Deus é quem escreve as Suas leis nos corações e mentes dos que aceitam tal promessa. Essas leis divinas já incluem o que seria “lei de Cristo”, “lei do amor”, “lei da fé”, “lei do Espírito”, “lei real” para os cristãos. Tais qualificativos da lei por diferentes autores bíblicos não visam a refletir a existência de diferentes leis, mas sim a MESMA, referida retoricamente por variados qualificativos.


* Onde, na promessa da Nova Aliança, é dito que Deus escreve as Suas leis nos corações deixando fora algum preceito do Decálogo (Heb. 10:16)?

RESPOSTA: Realmente não é dito que nesse processo de Deus escrever Suas leis nas mentes e corações, Ele deixa fora qualquer preceito do Decálogo, Sua Lei Moral (tal como sempre reconhecido pelos cristãos evangélicos conservadores ao longo dos séculos, e mais recentemente por obras de editoras pentecostais, como a CPAD). Lembrando que quando Hebreus foi escrito, tanto o seu autor como os seus leitores primários sabiam que o véu do Templo se havia rasgado de alto a baixo e o sentido disso—o fim de todas as leis cerimoniais de Israel.


* PERGUNTAS ESPECÍFICAS SOBRE O PRECEITO DO SÁBADO:

*  Por que amar a Deus de todo o coração só se expressará reduzindo-se de 4 para 3 preceitos do Decálogo, se o sábado é o que tem mais disso?

RESPOSTA: O 4º. mandamento é o que tem mais expressões de amor de Deus para —a) com o homem concedendo-lhe a benéfica provisão de descanso físico e mental, com vantagens tantas no campo social, familiar, eclesiástico e até ecológico; b) com os animais de carga, pois no sábado “nem o teu boi, nem o teu jumento” deviam ser postos a trabalhar;  do homem para a) com Deus, respeitando-O como Criador de tudo, ao dedicar-Lhe o sábado, o “memorial da Criação”–Êxo. 20:11; cf. Sal. 111:2-4; b) com o próximo, respeitando o seu direito de descanso físico, mental, e demais benefícios espirituais, sociais, familiares nesse dia (“nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva . .”).


*  Se o sábado não é o preceito com mais expressões de amor no Decálogo, que outro se indicaria superando-o nisso?

RESPOSTA: Não se poderá indicar qualquer outro preceito do Decálogo com mais expressões de amor a Deus em ligação até com amor ao próximo.  


* Não é dito que Adão guardava o sábado, mas como provar que NÃO, atuando ele no jardim 7 dias direto (Gên. 2:15) sem dedicar nenhum dia a Deus?

RESPOSTA: Os falaciosos argumentos do silêncio não servem de prova ou contraprova de nada.  Aquele primeiro  sábado foi “santificado”, isto é, SEPARADO, por Deus, então a lógica é de que Adão só se beneficiaria em dedicar esse dia ao Senhor. Prova em contrário nunca foi apresentada.


* Como para José no Egito era “grave pecado” ir para a cama com a mulher do chefe se não consta a lei “não adulterarás” na época (Gên. 39:9)?  

RESPOSTA: Os falaciosos argumentos do silêncio não servem de prova ou contraprova de nada. Decerto sempre houve a “lei moral”, como o autor e pastor assembleiano O. S. Boyer  confirma (e não só ele . . .): “Não se deve pensar que não existia nada destes [dez] mandamentos, antes de Moisés. Foram escritos nas mentes e nas consciências dos homens desde o princípio. Não há pecado que não é condenado por um dos Dez Mandamentos”. – Pequena Enciclopédia Bíblica, CPAD, verb., ‘Dez Mandamentos’.


* Por que não poderiam Abraão, Isaque, Jacó cultuar imagens de Sto. Abel, Sto. Enoque e São Noé, por não constar proibição disso ao tempo deles?

RESPOSTA: Os falaciosos argumentos do silêncio não servem de prova ou contraprova de nada. Decerto sempre houve a “lei moral”. Wesley o confirma ao declarar: “a lei dos dez mandamentos é uma lei de divina composição; uma lei de Seu próprio proferimento.  . . . Ele nunca falou em qualquer ocasião da forma como o fez ao pronunciar os dez mandamentos, aos quais, portanto, devemos dedicar a mais zelosa atenção. Essa lei Deus tinha dado ao homem antes, estava escrita em seu coração pela natureza; mas o pecado havia descaracterizado tanto essa escrita, que foi preciso reativar o seu conhecimento”. – John Wesley, s/Êxodo 20, cf. site www.e-sword.net


* “Semana” tem que ver com sábado, e se não há sábado antes do Sinai, como Jacó fala de “semana” de sete anos (Gên. 29:27)?

RESPOSTA: Dizem eruditos da própria grei evangélica:

“A semana, com o seu sábado, é um arranjo artificial. A razão para ele é achada somente nas Escrituras do Velho Testamento . . . sempre associado com a revelação da parte de Deus. . . .

“Ideias e práticas religiosas entre todos os povos, em variados graus, têm sido associadas com todas as divisões de tempo, que os homens adotaram. Mas só em relação com a semana é a religião a explicação óbvia para sua origem, e a semana somente é uniformemente atribuída ao mandamento de Deus. A semana existe por causa do sábado. É histórica e cientificamente verdade que o sábado foi feito por Deus”. – W. O. Carver, Sabbath Observance, p. 41, Junta da Esc. Dominical da Convenção Batista do Sul.

A “Bíblia da Mulher”, da Soc. Bíblica do Brasil, o confirma tratando de Êxo. 20:8-11: “Nenhuma conexão foi estabelecida entre o sábado israelita e observâncias em nenhuma outra cultura antiga. Este também não se deriva dos movimentos do sol, da lua, das estrelas ou de outras unidades de medida de tempo, refletindo, assim, o fato de o domínio do tempo e das atividades pertencerem ao Senhor” (Op. Cit., 2a. ed., p. 134).

O marco da semana sempre foi o sábado para Israel. E a fala de Jacó com Labão, da semana de sete anos, é importante pista para a antiguidade do sábado.


* Ao Moisés falar de “sexto dia” seguido pelo sábado (Gên. 16:22, 23) não mostra conhecimento da semana de 7 dias?

RESPOSTA: À luz de Gên. 29:27 isso se faz por demais óbvio. Que apresentem provas em contrário os que o neguem.


* Êxo. 31:16, 17 trata do sábado para Israel, mas o vs. 17 refere-se é a criação do céu, da terra, etc., então, o céu a terra e tudo neles são só para Israel?

RESPOSTA:  Em Êxo. 20:11 Deus mesmo dá as razões por que o sábado deve ser o sétimo dia: “PORQUE em seis dias criou Deus os céus, a terra  . . . e no sétimo dia descansou. PORTANTO [ou POR ISSO] abençoou Deus o dia do sábado e o santificou”.

Há um ‘PORQUE’ e um ‘POR ISSO’ para a SANTIFICAÇÃO [separação para dedicação à Divindade] do sétimo dia. O referencial é a CRIAÇÃO DO MUNDO que, decerto, não se limita à nação de Israel.


* Por que em Êxo. 31:16, 17 o sábado é o sinal de Deus com Israel, não com os egípcios, filisteus, amorreus, assírios?

RESPOSTA: Quem souber responder esta pergunta já terá meio caminho andado para compreender toda a questão, que envolve a razão da escolha divina de Israel como nação eleita, o que muitos não entendem. Tal escolha não foi só para privilégios, mas para uma missão—ser “testemunhas de IHWH” (Isa. 43:10) e “luz dos gentios . . . até os confins da Terra” (Isa. 49:6).

Israel devia transmitir a todo o mundo o conhecimento do verdadeiro Deus, Sua lei e Seu plano de salvação. Lamentavelmente falhou nisso.


* Se Isa. 1:13 prova que Deus desprezou o sábado (para nós), Isa. 1:15 e 58:3-7 mostram que Ele desprezou orações e jejuns também?

RESPOSTA: Tal passagem é clara em tratar de situação contextualmente limitada: dada a apostasia da nação, Deus não aprovava suas práticas religiosas, como a guarda do sábado, orações e jejuns. Outros textos confudidos por falta de exame do contexto histórico são Ose. 2:11 e Lam. 2:6, onde o “fim do sábado” se daria em função dos CATIVEIROS, primeiro das tribos do norte (Israel), depois das do sul (Judá), em 722 e 586 AC respectivamente.  Tudo quanto cessou e foi desprezado por Deus teve RESTAURAÇÃO PLENA posterior, cf. Neemias 13.

Os que citam Isa. 1:13, além de se “esquecerem” do contexto imediato (vs. 15—desprezo divino às orações) e mais remoto (Isa. 58:3-8, desprezo pelos seus jejuns) não notam que também em Isaías (cap. 56) Deus convida os ESTRANGEIROS a acatarem o concerto de Deus com Israel, expressando-o pela prática dos holocaustos (pelos quais se uniriam a Israel na esperança do Messias) e guarda do sábado (vs. 2 a 7).

Em Isa. 58:13, 14 o próprio Deus instrui Israel a COMO observar-Lhe o sábado e considerá-lo um deleite (não um fardo).  Décadas depois, Ezequiel (20:12 e 20) é inspirado a falar do sábado como “sinal” entre Deus e os Seus filhos.


* Isa. 66:22, 23 fala do sábado observado eternamente na Nova Terra, então por que não fazê-lo agora também?

RESPOSTA: A objeção é que o texto também fala da Lua Nova, que não é só evento cerimonial, mas também um marco de início de mês em Israel. Além de semanas, haverá meses na pós-história, cf. Apo. 22:2. Boas versões internacionais trazem, “cada sábado” em vez de “de um sábado a outro”, como a francesa de Louis Segond.

Em Hebreus 4 o sábado é citado como metáfora do descanso eterno da salvação, agora e para sempre no mundo porvir, sem excluí-lo como regra para a Igreja.


* Qual o teor dos debates de Cristo com os lideres judeus sobre o sábado—SE era para ser observado, QUANDO ser observado, ou COMO observar o dia?

RESPOSTA: Cristo é coerente com o que disse em Mat. 5:17-19 e 23:1-3. Ele debatia a real natureza do sábado pelos que o haviam deturpado. Logo, a questão era COMO observar o sábado no devido espírito, não se era um preceito ainda válido, nem em que dia cairia.


* Se em Mat. 11:28, 29 Jesus quer dizer que Se tornou o sábado por Ele ser agora o descanso, por que os anti-sabatistas se valem do descanso semanal?

RESPOSTA: A incoerência é óbvia, pois se o sábado é mera sombra de Cristo, desfrutar um dia de descanso semanal em qualquer dia seria estar numa prática “sombra”. Mas o que Ele diz é ser descanso “para as vossas almas” (espiritual), o que nada tem a ver com o descanso físico e mental propiciado pelo sábado. Então, os anti-sabatistas teriam que trabalhar TODOS os dias da semana para não estarem numa “sombra”.


* Se Jesus desqualificava o sábado ao dizer que os sacerdotes o violavam e ficavam sem culpa, como fica o que disse em Mat. 5:19; 23:1-3?

RESPOSTA: Em Mat. 5:19 Jesus diz que quem desrespeitar o menor dos mandamentos e assim ensinar, será considerado “o menor no reino dos céus” o que significa não ter chance de nele entrar (cf. vs. 20). No Seu último discurso público (Mat. 23:1-3), Ele diz “à multidão” e aos discípulos [continuadores de Sua obra] para respeitarem TUDO da lei, como ensinada (mas não praticada) por seus líderes religiosos. Isso inevitavelmente inclui o sábado.


* Se hoje se pode violar o sábado, já que os sacerdotes o faziam, e sem culpa, por que era transgressão antes das palavras de Cristo em Mat. 12:5?

RESPOSTA: Os anti-sabatistas investem tanto neste texto ignorando que há séculos os sacerdotes praticavam os ritos do Templo aos sábados e nem por isso se podia violá-lo. A quebra do sábado foi uma das causas do cativeiro de Israel (Jer. 17:21, 22, 27). Por que a ação dos sacerdotes, citados por Cristo, não podia servir de escusa para o povo violar o sábado, já que os anti-sabatistas entendem ser um fato SÓ a partir da declaração de Cristo em Mat. 12:5? Eis a óbvia incoerência de um sofisma mal formulado.


* Jesus disse que o sábado foi feito por causa do homem (Mar. 2:27), mas foi para o bem ou para o mal do homem?

RESPOSTA: A ciência comprova que o sábado é necessário e benéfico aos seres humanos. Cientistas cronobiólogos têm discutido o chamado “ritmo do sétimo dia”, ou “circaseptano”—regime ideal de 6 dias de trabalho e 1 de repouso.

O pastor e médico evangélico, Michael Cesar, conta que Hitler, buscando levar vantagem, ordenou que os operários alemães, no preparo para a 2a. Grande Guerra, atuassem 7 dias semanais direto, tendo repouso só à noite. Não funcionou! Ficavam esgotados, nervosos, a produção caiu. Daí o Führer teve que voltar ao regime natural de 6 dias de trabalho e 1 de repouso. Em seus documentos confessionais, batistas e presbiterianos destacam que esse regime de 6 dias de trabalho e 1 de repouso é LEI NATURAL.


* Admitindo-se ser o sábado para o bem do homem, por que Deus—que não discrimina pessoas—só beneficiou os judeus com tal regra?

RESPOSTA: Se “para com Deus, não há acepção de pessoas” (Rom. 2:11) e foi feito para o bem do homem, TODOS OS HOMENS se incluem, desde a criação do mundo. É o que ensina importante obra pentecostal:

“1) O principio de um dia sagrado de repouso, foi instituído antes da lei judaica. ‘E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou’ (Gn 2.3). Isto indica que o propósito divino é que um dia, em sete, fosse uma fonte de bênção para toda a humanidade, e não apenas para a nação judaica.

“2) O propósito espiritual de um dia de descanso, em sete, é benéfico ao cristão. . . .

“5) Jesus indica que o dia de descanso semanal foi dado por Deus para o bem-estar espiritual e físico do homem (Mc 2.27). –  Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD), nota de rodapé de Mat. 12:1, págs. 1409, 1410.


* Se o sábado não é repetido como regra para a Igreja, onde há preceito claro, direto, no NT, para não se confeccionar imagens?

RESPOSTA: É falsa premissa que os preceitos do Decálogo para valerem para a Igreja têm que ser repetidos no NT, pois daí os filhos dos cristãos podiam desrespeitar os pais até Paulo “restaurar” em Efé. 6:1-3 o preceito (da “lei abolida”) quase 30 anos depois da morte de Cristo. Faz sentido isso?!


* Se o sábado não é repetido como preceito para a Igreja, onde consta regra clara, direta, para não se consultar os mortos no NT?

RESPOSTA: É falsa premissa que os preceitos do Decálogo para valerem para a Igreja têm que ser repetidos no NT, pois daí os cristãos poderiam mentir uns aos outros até Paulo restaurar o preceito (da “lei abolida”) em Rom. 13:8-10 ou Efé. 4:25, quase 30 anos depois da morte de Cristo. Faz sentido isso?!


* Se o sábado não é repetido como regra para a Igreja, onde há preceito claro, direto, contra casamento entre irmão e irmã no NT?

RESPOSTA: É falsa premissa que os preceitos do Decálogo para valerem para a Igreja têm que ser repetidos no NT, pois daí os cristãos podiam desrespeitar os pais, roubar, mentir  e matar uns aos outros até Paulo “restaurar” os preceitos (da “lei abolida”) em Rom. 13:8-10 ou Efé. 4:25; 6:1-3 quase 30 anos depois da morte de Cristo. Faz sentido isso?!


* Se o sábado não é repetido como regra para a Igreja, onde consta preceito claro, direto, proibindo sexo com animais no NT?

RESPOSTA: É falsa premissa que os preceitos do Decálogo para valerem para a Igreja têm que ser repetidos no NT, pois daí os cristãos podiam desrespeitar os pais, roubar, mentir  e matar uns aos outros até Paulo “restaurar” os preceitos (da “lei abolida”) em Rom. 13:8-10 ou Efé. 4:25; 6:1-3 quase 30 anos depois da morte de Cristo. Faz sentido isso?!


* Se o sábado não é repetido como regra para a Igreja, onde há preceito claro, direto, contra falar o nome de Deus em vão em todos os casos no NT?

RESPOSTA: É falsa premissa que os preceitos do Decálogo para valerem para a Igreja têm que ser repetidos no NT, pois daí os cristãos podiam desrespeitar os pais, roubar, mentir  e matar uns aos outros até Paulo “restaurar” os preceitos (da “lei abolida”) em Rom. 13:8-10 ou Efé. 4:25; 6:1-3 quase 30 anos depois da morte de Cristo. Faz sentido isso?!


* Quando Paulo fala que nada fez contra a lei dos judeus (Atos 25:8’), como diria isso sendo violador do sábado?

RESPOSTA: Se fosse violador do sábado, decerto os seus acusadores judeus de pronto alegariam isso contra ele. Mas Lucas, o único gentio autor de um evangelho e de Atos dos Apóstolos, dá testemunho de que ao Paulo e companheiros chegarem num local onde não havia sinagoga, num sábado foram até um rio para orar (Atos 16:13). Decerto eles oravam todos os dias, mas Lucas ressalta aquela especial ocasião de sábado durante a viagem.


* Se em Rom. 14:5, 6 fica-se livre para dedicar dias ao Senhor, como em Gál. 4:9, 10, não seria para dedicar dia nenhum?

RESPOSTA: Ao citarem tal passagem se vê nítida contradição dos anti-sabatistas.Paulo está tratando de um problema local, e não emitindo uma regra universal. Refere-se a certas datas especiais para jejum ou outras de caráter mais nacionalista, como a festa do Purim, que deixa opcionais aos cristãos de Roma, muitos de origem judaica, visando à harmonia na igreja.


* Faria sentido tomar Rom. 14:5 e 6 e declarar: “Eu não dedico dia nenhum ao Senhor, e faço isso ‘para o Senhor’”?

RESPOSTA: Este irônico comentário sobre a atitude ilógica dos dianenhumistas, ao citarem tal texto em defesa de sua postura, é do erudito presbiteriano Albert Barnes.


* Onde em Col. 2:14-16 Paulo diz que não se deve mais guardar o sábado e sim o domingo, ou adotar-se o dianenhumismo?

RESPOSTA: Paulo discute aí uma questão local de extremistas do “não toques, não proves, não manuseies” (Col. 2:21) que se punham a julgar negativamente aquela comunidade cristã por suas práticas religiosas. Ele não pretende estabelecer uma regra universal e nesta passagem nada diz sobre não mais se observar o sábado, adotar-se o domingo ou o dianenhumismo.


* Se o sábado era motivo de conflito na igreja primitiva, por que não surge entre as coisas que os crentes gentios não deviam praticar (Atos 15:20, 29)?

RESPOSTA:  Há quem confunda totalmente os dizeres de tais textos interpretando a questão às avessas. Não se trata de uma lista de coisas a serem daí cumpridas pelos crentes gentios (numa espécie de “tetrálogo” que substitui o Decálogo) e sim daquilo de que deviam ABSTER-SE, o que significa, não praticar.


* Se em Heb. 7:12 a “mudança da lei” seria do sábado para o domingo ou para o dianenhumismo, por que o tema do contexto é totalmente diferente ?

RESPOSTA: O contexto fala de regras da lei do sacerdócio, pelas quais para alguém ser sacerdote tinha que ser da tribo de Levi, mas Cristo era da de Judá. O autor de Hebreus fala apenas retoricamente sobre essa necessidade de mudar a lei do sacerdócio, o que na prática jamais se daria, pois se os judeus não aceitavam a messianidade de Cristo, como O aceitariam como sacerdote; mais ainda, Sumo Sacerdote?!


* Podem provar na Bíblia o domingo tomando o lugar do sábado—como mandamento ou prática voluntária, não obrigatória—por ordem de Deus?

RESPOSTA: As passagens que às vezes se usam para tentar provar isso pela Bíblia nada tratam especificamente a respeito, e os argumentos em prol da validade do domingo são à base de meras inferências sem devida base. Prova disso é que se há uma instituição desmoralizada nos meios evangélicos contemporâneos é a de que se tenha um preceito ordenando a fiel observância de um dia ao Senhor, seja este qual for. . .


* Onde a Bíblia diz que se guardará o “dia do Senhor” dominical de modo ‘light’, nele podendo-se comprar, vender, ver esportes no estádio ou na TV?

RESPOSTA: Se não acatam o domingo como mandamento ou continuidade do sábado para a Igreja—ou o ‘sábado cristão’, como consta dos documentos confessionais das igrejas históricas—já que aprendem a tese de “abolição da lei”, o que se dá é a mera utilização do feriado dominical, instituído pela lei civil, para as principais atividades na igreja nesse tempo livre disponível, e pela “tradição”, sem preocupações mínimas quanto a santificá-lo ou ao que fazer ou não nesse dia.


* Podem provar pela Bíblia que o cristão deve considerar o dia de uma meia-noite a outra (costume romano), não mais de um pôr de sol a outro?

RESPOSTA: Nada indica que esta seja uma mera questão “cultural”, pois a Bíblia é clara em apontar aos luminares (o maior—o Sol, e o menor, a Lua) desde a criação do planeta como os elementos pelos quais estabelecer o dia, a noite e as estações (Gên. 1:16-18).


* Onde, na promessa da Nova Aliança, é dito que Deus escreve Suas leis nos corações deixando de fora o preceito do sábado (Heb. 10:16)?

RESPOSTA: Não é dito isso, o que é um embaraço para os que citam tal passagem tão importante, que, na verdade, explica por que temos uma Bíblia dividida em duas seções—Novo e Velho Testamento. E a passagem se baseia na promessa anterior ao Israel nacional de um novo concerto (Jer. 31:31-33). Ora, quando Hebreus foi escrito, o seu autor e leitores primários sabiam que o véu do Templo se rasgara de alto a baixo (Mat. 27:52) e entendiam o sentido disso—que tudo quanto tinha caráter prefigurativo, cerimonial, cessava, mas nenhum dos preceitos de caráter moral, como é o sábado, o que é reconhecido historicamente pelos cristãos conservadores e até confirmado mais recentemente por obras de igrejas pentecostais, como da editora CPAD (ainda que o reinterpretando para o domingo).


* Se em Apo. 1:10  o “dia do Senhor” é o domingo, por que no seu evangelho João trata tal dia como um mero “primeiro dia da semana” (20:1,19)?

RESPOSTA: A expressão no original grego para primeiro dia da semana é ‘mía twn sabbatwn’, o que significa “o primeiro desde o sábado”, como utilizado por todos os autores neotestamentários (Mateus, Marcos, Lucas, João, Paulo) ao mencionarem o dia ao qual chamamos de domingo.


* Se desde a Ressurreição de Cristo a Igreja adotou o domingo, por que os autores do NT o tratam como mero “primeiro dia da semana” após 30 anos?

RESPOSTA: Ao nunca se referirem ao mesmo com qualquer título especial, 30 anos depois da Ressurreição, fica claro que não tinham escrúpulos especiais pelo mesmo como um “dia do Senhor”, como se percebe em Atos 20:7: após Paulo ter sua reunião de despedida num sábado à noite (como confirma a Bíblia na Linguagem de Hoje e a “New English Bible”) ele saiu para uma longa jornada a pé dentro do período do “primeiro dia da semana” (que o seria até o próximo pôr de sol), em vez de ficar para a “escola dominical”, ou equivalente, com os crentes locais.


*  Como a guarda do sábado seria diferente entre crentes judeus e gentios se não há mais judeu nem grego, escravo ou livre, macho ou fêmea no NT?

RESPOSTA: Entre evangélicos dizia-se tradicionalmente que o domingo tomou o lugar do sábado desde a ressurreição de Cristo. É como consta das confissões de fé de presbiterianos, batistas e outros. Contudo, pesquisas posteriores mostraram o erro de tais conceitos, e passou-se a dizer que os crentes judeus realmente podiam guardar e guardavam o sábado, por ser princípio muito arraigado a sua cultura, mas isso não caracterizava os crentes gentios.

Esta é uma forma de contornar as claras evidências de que o domingo NÃO COMEÇOU NA PALESTINA no século I, e sim em ROMA, desde meados do séc. II. Mas há uma tremenda dificuldade nesse raciocínio criado ultimamente: se a guarda do sábado é um erro, mera “sombra” de Cristo, seria errado para TODOS—crentes judeus e gentios. Paulo deixou bem claro que sob o evangelho não há mais judeu nem grego, servo nem livre, homem ou mulher, pois todos são um em Cristo (Gál. 3:28).

    Data/hora atual: Qui 22 Jun 2017, 21:04