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A Prosopopeia Adventista da guarda do SÁBADO no ÉDEN

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A Prosopopeia Adventista da guarda do SÁBADO no ÉDEN

Mensagem por Matheus Rosa em Ter 09 Ago 2016, 13:59

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A Bíblia diz que, após a conclusão das obras criativas, Deus descansou, abençoou e santificou o sétimo dia da criação (Gn 2.1-3). Os advogados da guarda do sábado mantêm que Adão e Eva observaram o sábado enquanto ainda estavam no paraíso, e existem alguns que vão mais longe para dizer que os ancestrais de toda a humanidade guardavam o sétimo dia após a Queda.

Entre os milhões de observadores do sábado existentes no mundo, os que mais se destacam como grupo religioso são os Adventistas do Sétimo Dia. Ellen G. White, considerada por esse grupo “a mensageira do Senhor para a igreja remanescente”, escreveu: “Santificado pelo descanso e bênção do Criador, o sábado foi guardado por Adão em sua inocência no santo Éden; por Adão, depois de caído mas arrependido, quando expulso de sua feliz morada”.[1] O pastor e conferencista adventista Mark Finley confirma as palavras ditas inspiradas da “mensageira do Senhor”: “O sábado foi dado para nossos pais, Adão e Eva, no jardim do Éden. Ele foi separado durante a criação como um símbolo eterno do poder criador de Deus para o Seu povo em todas as eras. Quando Adão e Eva deixaram o jardim, o sábado permaneceu como um lembrete do amor eterno de Deus”.[2]

Porém, essa interpretação duvidosa não resiste à um exame sério das Escrituras. É verdade que a Bíblia informa que Deus descansou no sétimo dia, mas convém ressaltar que a Divindade não Se cansa nem Sem fatiga (Is 40.28). O verbo hebraico shabat significa “cessar, desistir, descansar” (Gn 8.22; Jó 32.1; Ez 16.41). O Senhor Deus apenas cessou as Suas obras criativas no sétimo dia da criação. Um fato curioso é que a expressão “acabado no sétimo dia a sua obra” sugere que houve mais alguma atividade nesse dia. Ao contrário do que defende o Dr. Alberto Timm, que fez a seguinte declaração: “Descansando durante o sábado, Deus proporcionou um exemplo para suas criaturas”,[3] Deus não descansou no sétimo dia da criação para nos dar o exemplo!

Além de ter descansado nesse dia, Deus abençoou e santificou o sétimo dia da semana (Gn 2.2,3). Sobre este aspecto, o pastor Esequias Soares observa que “Deus abençoou e santificou o sétimo dia como um repouso contínuo, a dispensação da inocência, interrompido por causa do pecado”.[4] Referindo-se ao descanso de Deus no sétimo dia, o professor Gerard Van Groningen declara: “O homem entrou nesse descanso após a sua criação por Deus? Sim, no período entre a criação e a queda. O homem vivia no paraíso, o jardim palacial no qual ele provou um princípio do descanso que viria a ser ainda plenamente inaugurado. Entretanto, o ser humano não foi capaz de permanecer no descanso de Deus em virtude de sua queda no pecado”.[5] Agostinho de Hipona (354-430), um dos Pais da Igreja, lembra que não houve tarde no dia sétimo, pois Deus o santificou para que ele permanecesse para sempre: “O sétimo dia, porém, não tem crepúsculo; não entardece porque o santificaste para que se prolongue eternamente”.[6]

Além disso, quatro fatores contribuem para solidificar a tese de que Adão e Eva não guardavam o sábado no jardim do Éden, conforme apresentados a seguir:

1. A inexistência de cansaço no Éden. Embora Adão trabalhasse no jardim do Éden (Gn 2.15), convém ressaltar que o cansaço e a fadiga provenientes do trabalho cotidiano são efeitos negativos da Queda (Gn 3.17-19). Até a ocasião, esses males advindos do pecado eram totalmente desconhecidos para o homem perfeito. Tendo em vista que o sentido básico da palavra “sábado” está ligado ao repouso, seria impossível o primeiro homem descansar nessas condições.

2. Desrespeito ao princípio sabático. O quarto mandamento da Lei de Moisés define basicamente o princípio sabático: “Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus...” (Êx 20.9,10). Sendo o sétimo dia da criação o primeiro dia completo de vida do primeiro casal humano, a dedicação do sétimo dia ao repouso pessoal infligiria o princípio sabático, pois Adão e Eva não teriam trabalhado consecutivamente seis dias.

3. A não-ocorrência da palavra “sábado” em Gênesis. O substantivo hebraico shabbat, “sábado”, não aparece no livro de Gênesis; sua primeira ocorrência encontra-se em Êxodo 16.23, no relato do episódio do maná no deserto. O rico gênero literário do primeiro livro da Bíblia revela que tal omissão não foi acidental.[7]

4. A ausência de menção de observância do sábado. Em nenhum local de Gênesis é mencionado o primeiro casal humano guardando o sábado. O pastor Ciro Sanches Zibordi destaca que “o mandamento alusivo à guarda do sábado é exclusivo para os israelitas”.[8]

Como bem observou o in memoriam pastor Natanael Rinaldi, “Israel a partir daquele momento [do maná no deserto] passou a descansar no sétimo dia, e não desde a época de Adão como querem os sabatistas”.[9] A inerrante Palavra de Deus nos alerta contra o perigo de ir além do que está escrito (1Co 4.6) – erro característico das seitas pseudocristãs –. Apeguemo-nos à Bíblia, e não às mazelas doutrinárias dessa seita herética, e prossigamos em conhecer ao Senhor através da Sua Palavra!

Em Cristo, Matheus Rosa




Notas

[1] WHITE, Ellen G. O Grande Conflito, p. 453.
[2] FINLEY, Mark A. Tempo de Esperança – 24 horas para você renovar suas energias. Tradução de Cecília Eller Nascimento. 1. ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2010, p. 34.
[3] TIMM, Alberto R. El Sábado en las Escrituras – Doctrina, significado y observância. Tradução de Cristina Morán. 1. ed. Florida: Asociación Casa Editora Sudamericana, 2010, p. 28.
[4] SOARES, Esequias. Os Dez Mandamentos – Valores divinos para uma sociedade em constante mudança. 1. ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2014, p. 65.
[5] GRONINGEN, Gerard Van. O Sábado no Antigo Testamento – Tenpo para o Senhor, Tempo para Alegria nEle. Disponível em: . Acesso em: 9 de ago. 2016.
[6] AGOSTINHO, Santo. Confissões. Monergismo, 2007. PDF. 9 de ago. 2016.
[7] Em relação ao rico gênero literário do primeiro livro do canôn bíblico, o pastor Claudionor de Andrade comenta: “Ao contrário de Homero, legou-nos Moisés uma cosmogonia altamente confiável. Se o primeiro dispôs apenas do engenho humano, o segundo foi assistido pelo Espírito Santo, que o inspirou, dirigindo-o em toda a redação da obra. Na composição do livro de Gênesis, por conseguinte, Deus providenciou todos os detalhes, para que tivéssemos uma obra inerrante e infalível: alfabeto, língua, gênero literário e estilo” (ANDRADE, Claudionor de. O Começo de Todas as Coisas – Estudos sobre o livro de Gênesis. 1. ed. Rio de Janeiro: 2015, p. 17).
[8] ZIBORDI, Ciro Sanches. O cristão deve guardar o sábado ou o domingo? Disponível em: . Acesso em: 9 de ago. 2016.
[9] RINALDI, Natanael. O Sábado foi dado antes do Sinai? Disponível em: . Acesso em: 9 de ago. 2016.

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