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Pelo Sola Scriptura e contra a subjetividade

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Bruno Azeredo
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Pelo Sola Scriptura e contra a subjetividade

Mensagem por Bruno Azeredo em Ter 02 Jun 2015, 21:35

Olá a todos.

Alguns de vocês devem saber que eu era pentecostal, pois eu já expus aqui um testemunho resumido de como fui, gradualmente, abandonando este seguimento evangélico. O que talvez alguns de vocês não saibam é que eu permaneço (não sei até quando) como membro de uma igreja evangélica nominalmente pentecostal. Uma razão por que eu permaneço lá é que esta igreja, a meu ver, deixou de ser pentecostal na prática, ou no mínimo, o pentecostalismo lá está adormecido há tempos. Assim penso porque, pelo menos aos domingos, os únicos cultos que tenho podido frequentar lá já há alguns meses, não ocorrem manifestações pentecostais (profecias, línguas, reteté, etc.). Se bem que no último domingo uma ou duas pessoas falaram em línguas rapidamente, mas isto foi, provavelmente, uma exceção. Enfim, o que quero dizer é que mesmo sendo cessacionista permaneço, por enquanto, um membro de uma igreja nominalmente pentecostal. No entanto, de uns meses para cá tenho desenvolvido certa intolerância a algumas coisas que eu considero muito erradas dentro do evangelicalismo. Hoje eu quero utilizar o espaço do fórum para protestar contra um destas coisas, a negação prática da doutrina chamada Sola Scriptura, por parte dos pentecostais (e também neopentecostais) em geral. Portanto, esta introdução serviu para justificar a razão de eu estar fazendo uma crítica direta ao pentecostalismo, quando eu próprio permaneço em uma congregação pentecostal. Como eu disse, assim o faço porque a considero pentecostal meramente no nome.
Primeiramente quero deixar claro que estou ciente de que os pentecostais confessam a doutrina Sola Scriptura formalmente. No entanto, na prática ela é negada. Vou dar o exemplo de um amigo meu. Uma vez, em certa conversa com ele, eu dava meus porquês para ter deixado a teologia pentecostal. Em vez de ele me vir com um contra-argumento bíblico, simplesmente me disse saber que o falar em línguas era verdadeiro porque ele próprio já o tinha experimentado, portanto não podia negá-lo. E mais: ele ficou atordoado, questionando-me como eu podia duvidar da teologia pentecostal se eu próprio também havia experimentado o falar em línguas. Este tipo de argumentação (experiencial, em vez de exegético-teológica) é corriqueiro no meio pentecostal e neopentecostal. Alguns pentecostais argumentam que sua teologia é bíblica porque já tiveram experiências de pessoas profetizando para eles coisas que, segundo eles, de fato ocorreram. Não pretendo aqui refutar o falar em línguas ou as profecias, especificamente. Mas meu protesto é contra a hermenêutica empregada pelos pentecostais. Para eles, a experiência pessoal vale mais do que o estudo bíblico quando se trata de afirmar sua teologia. Embora todos eles negarão isto formalmente, na prática é algo inegável, conforme venho observando ao longo de uns cinco anos. Ou seja, a verdade é que para muitos pentecostais e neopentecostais, a Escritura não é realmente a única regra de fé e prática, mas antes, as suas experiências determinam, para eles, a veracidade do pentecostalismo. A razão do meu protesto contra isto é as implicações deste método hermenêutico reprovável. Experiências são carregadas de subjetividade, enquanto a Escritura é a única fonte de onde podemos, seguramente, extrair conhecimento objetivo. Um bom exemplo de como experiências são, per si, subjetivas, é o próprio fenômeno pentecostal de profecias. Profecias pentecostais geralmente não respondem, especificamente, questões de o que, quem, como, quando, onde e por quê. Lembro-me da última vez em que fui a um culto pentecostal cheio de profecias. Todas as profecias ali proferidas eram incrivelmente subjetivas. Por exemplo: alguém que se fazia presente tinha uma causa na justiça, mas o Senhor estava entrando com providência. É o cúmulo da subjetividade. Se o profeta fosse verdadeiro e a profecia de Deus, se diria quem tem a causa na justiça, o que ela tentar ganhar, como Deus vai entrar com providência e quando. Como ouso afirmar isto? Bem, porque este é o padrão bíblico. As profecias bíblicas, do Antigo e do Novo Testamento, são ricas em detalhes. Ágabo profetizou sobre Paulo ser preso em Jerusalém pelos gentios assim que chegasse lá. (Quem, o que, onde, quando). Muitos outros exemplos bíblicos poderiam ser dados, mas para o propósito desta mensagem um só basta. O problema não é falta de exemplos bíblicos, mas a pré-disposição pentecostal em acreditar na subjetividade de suas experiências, em vez de basear suas crenças somente na Bíblia (Sola Scriptura). As profecias pentecostais contemporâneas ficam muito aquém do padrão estritamente bíblico, e é este tipo de experiência que alimenta a convicção de muitos pentecostais de que o que ocorre em seus cultos vem de Deus. Em vez disso, cada pentecostal deveria submeter suas experiências à luz da Escritura e, então, determinar se essas experiências são confiáveis ou não. Por exemplo, se a Bíblia ensina que não há profecias hoje, segue-se que não importa como as predições pentecostais pareçam acuradas à primeira vista, elas, porém, não são bíblicas e, portanto, não vem de Deus. Outro exemplo de como as profecias pentecostais não se coadunam com a Bíblia ocorreu comigo. Certo profeta estava a entregar uma série de profecias para as pessoas num determinado culto pentecostal em que eu estava presente. Uma das profecias veio para mim. O homem disse que eu estava orando por uma coisa pela qual, na verdade, eu jamais havia orado uma única vez sequer. Aquele homem claramente errou a profecia. Portanto, falando em termos estritamente bíblicos, aquele homem era um falso profeta e não deveria ser ouvido. Nenhuma das demais profecias que ele entregou para as outras pessoas no culto vinha, realmente, de Deus. E mesmo ao longo de toda a sua carreira de profeta, aquele homem jamais entregou uma única profecia sequer que fosse de Deus, pois um profeta de Deus não erra uma só profecia. Biblicamente falando, se errar uma, não deve ser ouvido, pois é e sempre foi um falso profeta, não importando o quanto suas outras profecias pareçam ter sido acuradas. Mas eis aqui o ponto onde entra o meu protesto: para um pentecostal, não importa se o profeta Fulano errou uma profecia, contanto que ele tenha acertado algumas. Ou seja, se Fulano entregou as profecias A, B e C, mas errou C, então ele deve ser ouvido quanto a A e B, sendo rejeitado apenas em C. Todavia, a Escritura ensina que se o profeta Fulano entregou as profecias A, B e C, mas errou C, então C desqualifica A e B. Logo, Fulano deve ser totalmente rejeitado, não importa o quanto as profecias A e B pareçam ter sido acuradas. Mas isto não importa para os pentecostais, já que A e B aparentemente deram certo!!! Ou seja, os pentecostais começam pela experiência para determinar o que crer sobre a Bíblia, em vez de começarem pela Bíblia para determinar o que crer sobre suas experiências. Este é o meu protesto! A doutrina Sola Scriptura é uma mera formalidade entre os pentecostais. Ela não é, realmente, posta em prática. A hermenêutica pentecostal contém um elemento distinto e altamente subjetivo chamado experiências pessoais.
Eu havia falado sobre as implicações deste método hermenêutico. Pois bem, eis um exemplo. Um mariano começa a sentir a presença de “Maria”. Este mariano acredita que tal presença é boa e divina, é uma influência positiva. Uma das razões por que ele crê assim é o fato de se sentir muito bem com a presença de “Maria”. O mariano a invoca e tem experiências extáticas prazerosas, pelo que ele conclui que “Maria” tem verdadeiramente se manifestado a ele. Agora, pense por um minuto. Com que autoridade se pode afirmar ao mariano que ele está errado, visto que pelas suas experiências pessoais ele conclui que esta “Maria” é uma influência positiva? Um pentecostal, por exemplo, não pode dizer ao mariano que suas experiências com “Maria” são negativas e malignas, pois a experiência do mariano é algo pessoal, inacessível aos demais, portanto impassível de verificação externa, a menos que se apele para uma autoridade capaz de julgar experiências pessoais. No caso dos cristãos, a única autoridade tal como esta é a Escritura. Agora, o caso do pentecostal não é diferente do exemplo sobre o mariano. Se a experiência do mariano é impassível de verificação objetiva, exceto pela Escritura (pressupondo a veracidade da fé cristã), igualmente a experiência do pentecostal é impassível de verificação objetiva, exceto pela Escritura. E aqui está toda a problemática: se o pentecostal não submete suas experiências à Escritura, ele não terá nenhum critério objetivo para saber se suas experiências são realmente positivas ou negativas. Desta forma, não importa o quanto um pentecostal ache positivo falar em línguas ou praticar o reteté, suas experiências pessoais poderão, sem dúvida, enganá-lo, assim como o mariano de nosso exemplo estava enganado sobre suas experiências, embora particularmente elas lhe parecessem maravilhosas.
Meus caros, em suma, é isto que tenho para dividir com vocês. Eu lamento muito o fato de que muitos evangélicos pratiquem coisas meramente porque elas lhes façam se sentirem bem, ou porque elas aparentam terem dado certo, etc. Rogo a vocês que não caiam no mesmo erro, e não me refiro apenas às questões pentecostais/neopentecostais. Mas em tudo, deveríamos submeter nossas experiências ao julgamento da Escritura, em vez de adotar uma hermenêutica mista em que experiências pessoais concorrem com a Escritura para determinar a verdade e a prática cristã.

    Data/hora atual: Qui 23 Nov 2017, 12:45